Pronto de partida Sua ausência é dor Que me dói E continua a doer E continua a doar Poesia Poesia Que me alivia Depois retalha Dói tanto e todo dia Que paralisa E a poesia Que sangra e também coça Que é tsunami e também poça Me lacera no outro dia De fossa Esta minha ausência Dentro de mim Que te dói e não te doa nada Que te rói e depois cala Se esgota E essa dor, essa ferida Essa poesia de agonia Me fazem lembrar Que a angústia É nosso pronto De partida Wilson Borges
Queda livre Nada vicia mais que o sofrimento Nada sacia mais do que a tristeza Que em momentos de frio ao relento Não decepcio nam e marcam presença Nada chega mais sem aviso Que tristeza e sofrimento Pode até ser o dia mais lindo Daqueles com céu azul de brigadeiro Em um dia de solidão de retaguarda Você nunca vai saber a diferença Entre o calor da cama em uma manhã ensolarada E do frio do piso do banheiro em que vomita Depois de algum tempo, em segredo Vai desejar mais do que por gosto Que venha o desconforto, que te sirva absinto E te machuque de novo E em tardes fugidias como essa Em que vivi a vida e não um fado Vem a vontade de pedir para que algo me impeça De admirar a beleza só na queda livre e do estrago Wilson Borges
Vida à deriva As pedrinhas brancas De paz, harmonia e gratidão E as miçangas azuis De serenidade e zelo Chacoalham com leveza No seu tornozelo E me condenam a viver Agora é minha tornozeleira eletrônica Que me aperta no coração E quando saio do seu raio de luz Dispara um alarme de devaneio E na ausência da sua incerteza Me disperso em segredo E me contento em viver Assim estou à deriva no mar profundo Dos teus olhos E ali me tomei pelo gosto de naufragar E me afogar nas tuas mágoas calmas Pois no palco da vida em que ecoa seu pranto É que vive meu coração E vou nadando em busca de uma tempestade Que enfim me traga alguma paz Que eu fique pra sempre sem resgate Até a cortina baixar Wilson Borges
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